Histórias dos Guias

Da minhoca ao melhor pescador de Floripa: a história de André Zanini, que tem "uma sonda na cabeça"

Começou catando minhoca para os tios pescarem. Virou mergulhador, decorou cada parada de peixe no fundo do mar e levou esse mapa para a pesca de linha. Em 2025 foi eleito o Melhor Pescador de Florianópolis pelo Floripa Mil Grau.

Começou catando minhoca

A pescaria do André Zanini começou no chão, antes de chegar na água. Criança, a função dele era catar minhoca para os tios e o pai poderem sair para pescar — riacho, lago, rio. Foi crescendo dentro daquilo, e quando a idade avançou, o mar apareceu.

Primeiro pelo costão: robalo no camarão vivo, na boca do rio, com vara de bambu — sem molinete, sem equipamento sofisticado. Depois veio a tarrafa, que ele aprendeu e dominou. Mas a virada de chave aconteceu mesmo aos 12, 13 anos, quando ele pôs a cabeça embaixo d'água pela primeira vez.

O mergulho que virou mapa

A pesca sub não foi um hobby a mais. Foi o que conectou o André ao mar de um jeito que ele não largou mais.

A partir do momento que comecei a fazer pesca sub, me conectei muito mais com o mar. Virou a minha segunda casa estar embaixo d'água.

Mergulhando, ele foi mais fundo, conheceu as ilhas, conheceu gente, foi colecionando experiência. E, sem perceber, foi montando na cabeça um mapa que quase nenhum pescador de superfície tem: onde cada peixe fica, em cada pedra, em cada estrutura.

Conheci cada cantinho, cada parada de peixe através do mergulho.

Da raiva no molinete à produtividade

Em 2014 veio o primeiro molinete. E não por acaso: o mergulho dependia de água limpa e mar manso, e quando o tempo virava, o André voltava para casa sem peixe. Viu o pessoal trazendo peixe na pesca de linha e pensou: por que não tentar?

O começo foi de osso. Comprou um conjunto baratinho, foi para o mar e tomou pancada.

Fui para o mar, passei raiva, me deu vontade de quebrar tudo, porque eu não sabia nem lidar com aquilo ali.

No segundo ano, dois ou três peixes. Aí ele fez o que todo bom pescador faz: foi atrás de quem sabia. Gente que pescava de molinete foi passando o toque certo — a isca certa, o jeito certo, o equipamento certo. No terceiro ano, a coisa engrenou. Quando saía para mergulhar, já levava o equipamento de linha junto. De um jeito ou de outro, voltava com peixe.

A brincadeira ficou séria. Começou levando os amigos. Depois apareceram os primeiros clientes. E o mergulhador virou guia.

A "sonda na cabeça"

É aqui que a história do André deixa de ser só bonita e vira uma vantagem concreta para quem pesca com ele. Toda aquela vida embaixo d'água virou leitura de mar. Onde um pescador comum precisa de sorte e de aparelho, ele tem memória.

Eu tenho uma sonda na cabeça, sem estar com a sonda ligada. Onde eu paro para pescar de linha, eu já tenho um mapeamento de baixo — porque eu já mergulhei ali.

Ele sabe o posicionamento do peixe pela força da maré: onde o robalo encosta com um tipo de maré, onde não vale a pena parar com outro. É conhecimento que não se compra e não se baixa num app — se ganha com anos de fundo.

A gente passou a vida inteira mergulhando. Sabe praticamente o posicionamento de cada peixe embaixo da água.
Em 2025, André Zanini foi eleito o Melhor Pescador de Florianópolis pelo Floripa Mil Grau.
Em 2025, André Zanini foi eleito o Melhor Pescador de Florianópolis pelo Floripa Mil Grau.

Melhor pescador de Floripa

Esse acúmulo tem nome e tem troféu. Em 2025, o André foi eleito o Melhor Pescador de Florianópolis pelo Floripa Mil Grau — o reconhecimento de uma cena que conhece quem entrega resultado na água. Não é título de sorte de um dia bom: é a soma de décadas que começaram catando minhoca e passaram por cada laje da região mergulhando.

A bordo do Zanini Fishing, isso vira variedade na caixa: olhete, pampo, anchova, garoupa, badejo, robalo. Peixe de costão e peixe de mar aberto, conforme o dia e a maré mandam.

Pesque com o André

A pescaria sai da região de Florianópolis, na lancha do André, com saída pela Marina Papagaio — uma costeira de dia inteiro atrás dos peixes que ele conhece um por um, de cima e de baixo da água. Poucos lugares do Brasil têm uma pesca costeira tão rica, e pouquíssimos guias leem o fundo do mar como quem morou nele. Se você quer pescar com o melhor pescador de Floripa de 2025, o convite está feito.